HLR - GO - 2014 - R1 - 1

Questão 2

A transfusão de concentrado de hemácias (CHA) é muito frequente no Centro de Tratamento Intensivo (CTI), mas as consequências da anemia nos pacientes gravemente enfermos ainda são obscuras. O objetivo desse estudo foi avaliar a frequência, as indicações, os limiares transfusionais e o prognóstico dos pacientes criticamente enfermos que receberam CHA. O estudo foi realizado no CTI médico-cirúrgico de um hospital universitário durante 16 meses. Foram coletados dados demográficos, clínicos e os relacionados à transfusão de CHA. A regressão logística binária foi utilizada após as análises univariadas. Dos 698 pacientes internados, 244 (35%) foram transfundidos com CHA. Os pacientes clínicos em pós-operatório de urgência foram mais transfundidos. Eles receberam em média 4,4 "mais ou menos" 3,7 CHA e apresentaram maior letalidade no CTI (39,8% versus 13,2%; p< 0,0001) e no hospital (48,8%versus 20,3%; p< 0,0001). A letalidade correlacionou-se com o número de CHA transfundidos (R=0,91). Na análise multivariada, os fatores relacionados com a necessidade de transfusão foram cirrose hepática, ventilação mecânica (VM), tipo e duração da internação no CTI, hematócrito e escore SAPS II. A transfusão de CHA é frequente no CTI, particularmente nos pacientes internados por problemas clínicos e após cirurgias de emergência, com internação prolongada, em VM e com cirrose hepática. O limiar transfusional observado foi mais baixo que aquele assinalado pela literatura. A transfusão de CHA foi associada com maior letalidade. O desenho desse estudo epidemiológico pode ser classificado como:
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